Quando eu era menina brincava de ser a Mulher Maravilha. Adorava ser poderosa, dona de meu nariz e ajudar os colegas. Com apenas oito anos decidi que venceria na vida. Era boa aluna e, aos doze anos, sonhava em morar fora do país. Aos quatorze, tive meu primeiro emprego – secretária de consultório médico. Trabalhava à tarde, mas arranjava tempo para fazer os deveres escolares e estudar o inglês. Era dedicada. Ser uma heroína como a Mulher Maravilha e viver em um mundo mais justo faziam parte de meus planos.

Aos dezessete anos escolhi ser jornalista e, como recebera excelente base da escola onde estudei, passei no vestibular para o curso de Comunicação Social, sem dificuldades. No início, por força da natural expectativa que existe, quando se começa uma nova jornada, prevaleceu o encantamento pelo curso e pelas aulas. Algumas dificuldades apareceram. Naquela época, havia muito desemprego e as perspectivas salariais da classe eram baixas, bastante aquém de minhas pretensões de mulher maravilha. Ao final do primeiro ano de faculdade, fiz novo vestibular e ingressei no curso de Farmácia, influenciada pelo meu pai, farmacêutico, que dizia ser esta uma bela profissão. Ele reforçava que eu poderia conciliar trabalho com a casa e os filhos no futuro e que via potencial em mim.

Engraçado recordar isso… me faz lembrar de quando, ainda muito jovem, sonhava em trabalhar em algo que valesse a pena, ter uma família, ser esposa, ter uma vida bem-sucedida e muitas outras coisas. O tempo, este amigo presente e incondicional, vai mostrando, se quisermos ver, que a vida é ampla, cheia de oportunidades e que os sonhos da juventude podem ser concretizados. Aprendemos com o andar do calendário, que muitas opções podem ser feitas. Hoje, sou farmacêutica, feliz na condução do meu trabalho; mãe de dois belos seres humanos que enchem a minha vida de alegria e de esperança.

Não escondo, pois não seria possível fazê-lo, que há dias em que corro muito para dar conta de tantas frentes que se abrem. No entanto, há uma credencial, algo que me concede sensibilidade para encaminhar tantas coisas: sou uma mulher! Uma mulher que quer acertar, quer ser carinhosa, valente, culta, responsável. Quero inspirar nos filhos o gosto pela minha companhia, a alegria por ter saúde, a satisfação de saber que podem contar com muitas ajudas. Aprendi na jornada da vida que ser mulher implica em ser conciliadora, ser afetuosa, cuidar do ambiente físico e espiritual da casa e do trabalho. Cuidar das pequenas atenções, com gestos simples, mas verdadeiros.

Mulher maravilha? Não. Hoje ousaria dizer que é uma maravilha ser mulher, por saber que posso, com minha conduta, reta, digna, mais consciente a cada dia, contribuir com os homens, com as crianças, com outras mulheres, para fazer deste mundo, um mundo melhor.

Fernanda Sathler | Farmacêutica, empresária, mãe, filha, esposa, amiga, mulher.

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